Ferromodelismo e os barulhos e vibrações em locomotivas à vapor antigas

Textos e fotos de Camila Karnstein

Quem já comprou ou mantém algumas antigas locomotivas a vapor da Mehano (AHM), Rivarossi ou Mantua, deve ter ficado incomodado com o movimento ruidoso de tais máquinas e de seu movimento pouco suave. Isso era muito comum nos primeiros modelos desses fabricantes e mesmo em modelos posteriores, ainda na década de 90. Existem meios de se resolver o problema? Bem, não existe como eliminar totalmente tais problemas anão ser remotorizando as locomotivas, porém podemos amenizar muito os seus efeitos com medidas simples.

Embora muito bem planejadas e resultado de muito técnica e estudos de mecânica e eletrônica, muitos projetos pecam por desconsiderar certas propriedades exatamente mecânicas dos componentes de uma miniatura. O primeiro grande problema é quando, muito justo, o apoio da rosca do sem-fim sobre a engrenagem na transmissão não permite uma folga para se dar leveza ao conjunto. Sem folga, com muita pressão, o motor precisará de mais amperagem para partir, então quando essa atinge um dado ponto e o motor consegue vencer a inércia causada pelo atrito, a locomotiva dispara! É necessário então darmos uma folga nesse conjunto!

As locomotivas da Mehano (AHM) e da Rivarossi vem, nas muitas das vezes com uma capa sobre a rosca do sem-fim encerrando o mesmo numa caixa de transmissão. Essa capa pressiona o sem-fim conta a engrenagem e, por vezes é necessária sua reirada e limá-la por dentro permitindo mais folga e, em alguns casos é mesmo preciso descartá-la (conforme a foto abaixo). Claro que isso deve ser avaliado e não faça nada sem verificar todas as nuances do problema.

Em geral esse alívio que damos na pressão do conjunto do sem-fim com a engrenagem de transmissão já melhora muito o desempenho da locomotiva e ela fica com partidas e paradas mais suaves. Muitas vezes essa mesma providência ajuda a impedir a passagem da vibração excessiva do motor para o sistema motriz que se propaga pela engrenagem, passa para as rodas e vai atingir os trilhos fazendo aquele barulho desagradável de triturador de carne! É o suficiente? Nem sempre!

A maior parte dos antigos motores vibram muito e essa vibração passa para o chassi, passa para a transmissão e para a carcaça. Muitas vezes quando retiramos a carcaça, podemos notar que aquele barulho incômodo é bastante reduzido, isso porque a carcaça serve de caixa acústica aumentando de sobremaneira o ruído! Uma das formas de se evitar essa vibração é colocando um calço entre o suporte do motor e o chassi da locomotiva. Esse calço de plástico, que por vezes não precisa chegar a um milímetro já propicia um isolamento na transmissão da vibração e pode ainda ajudar no alívio da pressão do sem fim sobre a engrenagem. Alguns preferem um pequena e fina placa de borracha, Em geral esses antigos motores são fixados ao chassi com uma peça em “L” no qual é aparafusado o motor.

As antigas locomotivas ainda possuem um eixo de transmissão (cardã) muito rígido (em geral metal). Alguns modelistas cortam um pequeno pedaço do mesmo e utilizam um tubete de polietileno – o mesmo daquele encontrados em cargas de canetas BIC – e fazem uma conexão, para permitir que o eixo trabalhe (foto). Essa porém é uma medida mais temerária e requer cuidados extremos. tudo isso que aqui coloquei só deve ser realizado por pessoas experientes e não por qualquer iniciante. Caso você queira implementar tais ações e seja inexperiente, procure um profissional qualificado.

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Galeria de fotos do 3º Open House da APFmf

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Alvenaria com embalagens dos desvios 281 e 282 da Atlas

Texto e fotos: José Balan Filho

Este tutorial demonstra como utilizar as embalagens dos desvios da Atlas, referências 281 e 282, para fabricar placas de resina que imitam paredes de alvenaria. O desenho da embalagem sugere paredes com vigas de concreto aparente, e o seu interior rebaixado imita reboco e massa corrida.

O desenvolvimento desta técnica envolve a utilização de estilete, de resina e de tintas. Por isso, use material de proteção. Ao utilizar a resina e a tinta, faça-o em ambiente ventilado.

Palavras chaves: paredes de alvenaria; moldagem com resina.

Nível de dificuldade: média.

Tempo de execução:

  • Preparação das embalagens: 5 minutos;
  • Preparação da resina e enchimento dos moldes: 20 minutos;
  • Desmoldagem: de preferência depois de 24 horas;
  • Pintura: 30 minutos (com tinta acrílica).

Domínio prévio de:

  • Uso de aerógrafo, mas só no caso de optar por pintura com aerógrafo e não com rolinho ou pincel.

Lista de materiais:

  • Embalagens dos desvios da Atlas, referência 281 ou 282;
  • Resina cristal (encontrada em lojas de laminação em fibra de vidro);
  • Solução de parafina (encontrada em lojas de laminação em fibra de vidro);
  • Catalisador poliéster (encontrado em lojas de laminação em fibra de vidro);
  • Talco industrial (encontrado em lojas de laminação em fibra de vidro);
  • Corante (pigmento pasta) (encontrado em lojas de laminação em fibra de vidro);
  • Tinta acrílica branca e marrom (adquirida em loja de artesanato; se for usar aerógrafo, tem que ser tinta acrílica para aerógrafo);
  • Acetona (encontrada em lojas de laminação em fibra de vidro em volumes maiores do que se vende em farmácia. Venda permitida somente a maiores de idade.);
  • Papel-toalha.

Lista de ferramentas:

  • Becker (graduado);
  • Vareta;
  • Pincel macio, pequeno ou aerógrafo (para quem tem o domínio da ferramenta);
  • Estilete.

Recorte a embalagem do desvio cuidando para manter sem dobras e sem cortes toda a parte plástica, conforme o modelo que aparece na parte de baixo da foto . O ideal seria retirar o desvio através de um rasgo no papel na parte traseira da embalagem e depois colocá-la dentro de uma vasilha com água, para que o papel se solte inteiramente sem causar nenhum dano à parte plástica.

Usando outra embalagem igual e um estilete de ponta fina recorte os 6 retângulos, fazendo isso com muito cuidado e capricho, pois essa parte será utilizada para fazer uma máscara quando da pintura da peça (do lado de cima da foto).

Preencha as embalagens com a resina, utilizando o corante que achar mais adequado. Sugiro o branco como corante pois será uma boa cor de base para a aplicação de qualquer outro acabamento por cima).

Coloque a quantidade de resina que achar adequada para o seu projeto.

Coloque o corante e misture bem (para 100 ml de resina, meia colher de café).

Coloque a Solução de parafina (40 gotas para cada 100 ml de resina), e misture bem. A função da parafina é evitar que a placa fique “grudenta” quando estiver seca.

Coloque o talco industrial (uma colher de sopa bem cheia para cada 100 ml de resina), misture bem.

Depois dessa etapa, e antes de colocar a resina, deixe a mistura descansar durante 10 minutos para que as bolhas formadas durante a mistura dos componentes se dissolvam.

Coloque o catalisador (40 gotas por 100 ml de resina) e misture com suavidade, para não formar novas bolhas.

Faça o enchimento dos moldes e espere 24 horas para desmoldar.

Com acetona e papel-toalha limpe o Becker para posterior reutilização.

A quantidade de material descrita neste tutorial enche dois moldes.

Atenção: dependendo da temperatura ambiente e da umidade do ar, o catalisador reage de forma diferente. Quanto mais quente e mais seco, mais rápido se completa o processo químico. Portanto, deixe todo o material preparado. A superfície onde ficarão os moldes deverá ser absolutamente plana.

Desembale depois de 24 horas tomando cuidado para não quebrar a embalagem. Na foto abaixo, o aspecto da peça de resina já pronta.

Faça a pintura da estrutura das placas, na cor desejada. No meu caso, utilizando o aerógrafo, pintei de marrom Van Dick.

Para fazer a parte rebaixada da alvenaria sobreponha a moldura sobre a placa já pintada e seca, e faça o acabamento do meio na cor branca (ou da cor que preferir).

Aplique as placas nos locais destinados a elas no projeto. No meu caso usei as placas para revestir a plataforma de descarregamento de minérios.

Para simular o envelhecimento apliquei uma leve vaporização com tinta preta utilizando o aerógrafo.

Com pintura, envelhecimento e adequação ao local onde vão ser colocadas, as placas cumprem perfeitamente o seu papel.

”Terrorista do ferreomodelismo”. É assim que o Balan, um empresário que mora em Curitiba (PR), se denomina.

Sua primeira maquete encontra-se exposta no saguão da Serra Verde Express, na Estação Rodoferroviária de Curitiba. Fotos de sua segunda maquete, a Siderúrgica Valene, ambientada nos anos 40, podem ser vistas na galeria de fotos do site norte-americano Peach Creek, dedicado a modelistas interessados em maquetes de siderúrgicas.

O Balan está sempre pronto a ajudar modelistas do Brasil e do exterior, orientando nos projetos e execução de maquetes. Em suas maquetes, quando necessário, às vezes deixa de lado a fidelidade ao protótipo em favor do ”deleite visual”.

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Fazendo uma araucária para a maquete

A araucária (Araucaria angustifolia) é a espécie arbórea dominante da floresta ombrófila mista, ocorrendo majoritariamente na região Sul do Brasil, sendo conhecida como pinheiro-brasileiro e pinheiro-do-paraná.

Sua origem remonta a mais de 200 milhões de anos e pode atingir alturas de 50 metros, com um diâmetro de tronco à altura do peito de 2,5 m. Sua forma é única na paisagem brasileira, parecendo uma taça.

Hoje seu território está reduzido a uma fração mínima, o que coloca a araucária em perigo crítico de extinção.

Como podemos perceber, existem araucárias de diversas alturas, algumas com troncos mais finos, outras com troncos mais grossos, algumas altas, outras mais baixas, etc. A altura média é em torno de 12 a 15 metros.

Para confecção da araucária para a maquete vamos precisar de:

  • Arame revestido comprado em lojas de artesanato com flores;
  • Maço de flores de plástico “mosquitinho”;
  • Fita marrom de revestimento comprada também em loja de artesanato com flores;
  • Tinta Acrilex marrom escuro código 526, tinta verde escuro;
  • Alicate de corte, alicate de bico (para dobrar o arame) e pincel.

1) Pinte as flores de plástico de verde escuro.

2) Dobre os arames revestidos no meio sendo que aproximadamente 12 a 15 cm serão para o tronco e mais 3 a 4 cm para os galhos. Aperte a dobra com o alicate para ficar bem dobrado.

3) Junte o feixe de arames dobrados e comece a enrolar a fita marrom que é autoadesiva até a altura dos galhos.

4) Pode-se fazer galhos em alturas variadas, para isso dobre alguns arames na altura desejada e depois continue a enrolar a fita até a altura da copa do pinheiro.

5) Curve os galhos para baixo, fazendo uma pequena dobra para cima com ajuda do alicate de bico, para encaixar a flor “mosquitinho”, e insira um pedaço de arame revestido no topo, para ajudar a fixar a copa do pinheiro.

6) Pinte os galhos de marrom escuro e coloque as flores já pintadas de verde nas pontas dos galhos.

7) No centro da copa do pinheiro, junte várias flores “mosquitinho” coladas umas nas outras de formando um círculo com diâmetro um pouco menor do que o comprimento dos galhos da copa.

Agora é só inserir na sua maquete!

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Maquete Conselheiro Scheinkmann

O tablado verde, tipo “moldura de poster”, concebido inicialmente para rodar locomotivas em teste e depois guardá-lo atrás da porta, deu lugar a uma maquete com um traçado oval simples, com apenas um desvio, isolado eletricamente (pode-se deixar uma locomotiva estacionada), mas bem elaborada em termos de detalhamento.

Essa maquete medindo 1,50 metros x 1,05 metros é ideal para levar em encontros do hobby e também para quem dispõe de pouco espaço.

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