Acho que é o fim da linha pra mim…

 José Balan Filho.

Já fui aeromodelista, e se não era um cara dado àquelas mil piruetas que os cobras gostam na modalidade, eu não fazia feio fazendo o que eu fazia. Gostava tanto que ajudei a construir a pista de aeromodelismo do Clube Thalia.

No Clube de aeromodelismo que fica atrás do Carrefour de Pinhais gastei do meu bolso a construção do mastro da biruta, a biruta e a instalação no lugar, pagando a mão de obra do pedreiro…

Me aborreci com o Thalia porque era longe de Curitiba e porque o restaurante de lá, que era único, explorava os usuários cobrando um absurdo por uma comida de má qualidade.
Deixei de frequentar o clube do Carrefour porque era responsável pela segurança, e às vezes, se me atrasasse, quando eu chegava na pista encontrava seis ou sete aeromodelos no ar.

Os malucos de plantão não sabem o estrago que faz um aeromodelo de 600 gramas a 60 quilômetros por hora. Basta lembrar o que aconteceu recentemente ao presidente do Clube de uma cidade do interior de São Paulo que, ao atravessar a pista, morreu na hora ao ter sua cabeça atingida por um aeromodelo. Como eu fazia parte da diretoria e era legalmente um dos responsáveis pela segurança, achei que era melhor cair fora antes que acontecesse um acidente e eu ser responsabilizado criminalmente…

Voltei para o modelismo ferroviário, porque pelo menos nesse posso cultivar o meu hobby a qualquer hora do dia ou da noite num recinto fechado, sem problema de chuva, e sem precisar de nenhum tipo de companhia, se for essa a minha escolha…

Eu me iludia achando que sendo um hobby tão bacana ele abrigaria muito menos CHATOS do que existem em qualquer outro tipo de hobby. Me enganei!

Tem todos os tipos de chatos:

  • Tem o “chato purista”, que não pode ver algo fora da escala que tem um faniquito e põe sais no nariz senão desmaia; É o cara que ao ouvir a palavra “Frateschi” tem convulsões incontroláveis, revira os olhos, e se ao mesmo tempo colocarmos nas mãos dele aquela locomotiva fora da escala do mesmo fabricante, ele surta, chama Jesus de Genésio, e desfia sem controle tudo o que ele sabe sobre locomotivas, escalas e viadices;
  • Tem o “chato contador de rebites”, que é capaz de saber todos os detalhes, parafuso por parafuso, rebite por rebite, de uma locomotiva a vapor que foi construída no dia 13 de abril de 1936, às 16 horas, 40 minutos e 32 segundos…
  • Tem o “chato ignorante”: que não entende que se a maquete é do outro, o outro pode fazer a maquete do jeito que quiser, e se há algum erro não precisa ser nem grosso e nem mal educado com o cara que está iniciando e tem muito orgulho de mostrar o que está fazendo;
  • E tem o “chato chato”, que desmancha grupos, acaba com associações, fala mal dos outros para você e de você para os outros; figurinha carimbada que todo mundo conhece… Ele sempre “se acha”, mas quando destrói o ambiente de amizade da associação nunca mais aparece, alegando que não vai mais ao clube “porque lá todo mundo é muito chato”…
    Se o clube faz um evento ele comparece à reunião, mas de um jeito ou de outro desaparece no dia do evento deixando todo mundo a ver navios…

Vocês devem estar se perguntando o que deu na cabeça do Balan para escrever esse “textão”… Simples: estou de saco cheio de ver tantas pessoas mal amadas reclamando de tudo e de todos, criticando colegas, formando grupos no WhatsApp com o única finalidade de denegrir as pessoas de que não gostam. Simulam conhecimento que não têm, a maioria nunca faz nada e são especialistas sentados no sofá…

Acho que minha contribuição ao hobby está dada. Sem modéstia alguma provei que é possível fazer algo com um pouco mais de qualidade por aqui, saindo dos temas comuns, usando material de primeira, com bons projetos e com capricho no trabalho paisagístico… Daqui para frente vou repensar minha participação no hobby. Não estranhem se souberem que a VALENE está na sede da nossa associação. Se isso acontecer é sinal de que o hobby acabou para mim, definitivamente…

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