Do sistema analógico passando pelo digital para chegar ao visual e interativo

Os hobbys são atividades bem particulares de cada indivíduo e este texto não tem como objetivo trazer mais polêmica ao ferromodelismo. O ferromodelismo por si só já gera uma série de opiniões e pontos de vista contrários de um grupo de pessoas um tanto quanto diferenciadas, por se tratar de pessoas criativas e ávidas por mostrar suas criações.

Quando pensei neste artigo, o meu primeiro pensamento foi que já vou mexer em um ambiente em que se discute as experiências analógicas e digitais da base tecnológica que move literalmente os trens em escala. Neste ambiente, as discussões já são bastante acaloradas e muitas vezes geram muitas opiniões e até brigas entre os defensores de cada uma dessas tecnologias.

A ideia a ser defendida é que além dessas duas tecnologias que representam duas etapas da evolução tecnológica já vislumbramos outra, vindo logo em seguida, e já dando seus primeiros passos.

As duas tecnologias já consolidadas não tiveram o possível marco de ruptura que muitas vezes ocorre numa evolução tecnológica. Isso se dá em muito por conta do ferromodelismo ser apenas um hobby e não algo essencial à vida das pessoas e com grandes interesse e corporações por trás das ações em busca de lucratividade. Também colabora com isso o fato do hobby do ferromodelismo ser algo muito autoral, ou seja, cada ferromodelista desenvolve o seu modelo e por ele se apaixona.

Ambas as tecnologias que tanto são discutidas pelos ferromodelista e permitem que os modelos transitem entre os pontos da maquete, salvo em casos bem singelos e simples, envolvem uma grande complexidade de operações. Por um lado, vemos as novas gerações completamente desestimuladas ao se encontrarem com vários controladores de velocidade, chaves de controle de blocos de operação e chaves de controle de desvios. Em outro lado vemos as velhas gerações sem muita intimidade com a complexidade de CVs, controles únicos para múltiplas locomotivas que compartilham os mesmos aceleradores e controles de blocos e desvios complexos de serem operados em um mesmo lugar onde se controla a velocidade das locomotivas.

Bem, mas como as novas tecnologias vem atraindo as pessoas de uma forma geral em nosso cotidiano? Internet, redes sociais, celulares, tablets, novas formas e distribuição de conteúdo visual, aplicativos, todas estas tecnologias convertem para experiências visuais e interatividade simples e inteligente. Hoje em dia, as pessoas procuram aquilo que se convenciona chamar de tecnologia smart. São as tecnologias que permitem a pessoa uma experiência mais intuitiva e mais parecida com tudo mais que já existe.

Os computadores estão se aproximando, cada vez mais, do mundo do ferromodelismo através da associação com a tecnologia já existente dos controles digitais. Nos últimos anos, junta-se a este conjunto os programas de computador e os novos hardwares do tipo Arduino.

Os programas trazem para o conjunto a facilidade das interfaces interativas e inteligentes. O Arduino e seus componentes eletrônicos genéricos trazem as interfaces físicas para sensores e acionadores de componentes da maquete. Já estamos experimentando e vamos, cada vez mais, experimentar a integração de todos esses componentes juntos, trazendo facilidade e inteligência para o ferromodelismo.

Diferente do que possa parecer isso não é complexo quando se observa todo este conjunto do ponto de vista de quem usa e não de quem constrói. Neste ponto, surge mais uma controvérsia que envolve o que estamos observando. Como o ferromodelismo envolve criação é bastante óbvio que o ferromodelista quer de fato participar também dessa construção, assim como ocorre nos sistemas analógico e digital.

Não tenho como dizer que as implementações que tenho realizado nesta tecnologia são simples, mas vejo que a utilização das mesmas é realmente muito mais simples que a tecnologia analógica e a tecnologia digital. Também observo que quem vem aventurando-se nesta nova tecnologia está associado, de alguma forma, a tecnologia. Via de regra, quem tem trabalhado neste sentido está ligado a atividade de tecnologia da informação ou às engenharias.

Do meu ponto de vista e pelas minhas observações vejo que a complexidade que afasta os mais antigos dos controles digitais e os mais novos dos controles analógicos são superados pela nova tecnologia de visual interativo.

Vejo pela frente o fim das complexas mesas de controle das maquetes analógicas e os enfadonhos endereços de locomotivas, CVs e acionadores que precisam ser decorados ou lembrados em maquetes digitais, que por sinal sempre implementam um botão de pânico para situações de risco iminente com as composições.

Logo em seguida, teremos sistemas totalmente interativos e visuais onde as composições e componentes da maquete irão receber comandos e informar situações para o operador que terá cada vez mais interfaces bem próximas da realidade modelada. Não se trata como alguns pensam em maquetes automáticas, sem a efetiva participação do operador e sim algo muito mais finamente controlado e experimentado como uma ferrovia mais próxima do real.

Minha torcida é que esta nova fase que vem por aí sirva como atrativo para o crescimento do ferromodelismo, mantendo os praticantes atuais e buscando novos adeptos.

Texto e foto de Renato Petersen Filho.

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